Fazer a coisa certa na empresa ou dar um “jeitinho” como a maioria faz? Eu conversei com dois empresários, e essas duas conversas me lembraram de uma história da minha infância.

Uma pequena História para Ilustrar
Quando eu estava na oitava série, eu e mais uns vinte colegas de turma decidimos que iríamos pular o muro da escola e sair na metade do turno da manhã. Gazear a aula, como a gente diz. Corremos um grande risco, mas fizemos isso.
A gente foi descoberto, é claro. Era colégio de freira. Cada um que foi pego, pegou 2 dias de suspensão. E acho que foi quase todo mundo. Só que esse castigo não foi o pior. O pior foi da minha mãe, que era o que eu mais temia. Eu lembro que a minha mãe, antes de me punir, perguntou para mim por que eu fiz aquilo. E eu disse: “eu fiz porque todo mundo fez.” Aí a mãe só olhou para mim e disse: “mas você não é todo mundo.”
Por que eu lembrei dessa história? Na primeira das conversas, um amigo meu, empresário, me pediu uma opinião. Ele disse que tinha um funcionário antigo na empresa, que ele já estava querendo demitir, mas que chegou para ele, pediu para sair e pediu um acordo trabalhista – que seria como se meu amigo tivesse demitido ele, pagasse os custos, o funcionário recebesse do governo o dinheiro e devolvesse para ele a parte dele.
A Maioria das Pessoas Fazer Algo não Torna Isso Certo
Sempre que alguém me pergunta algo e eu sei que minha resposta vai ser meio polêmica, eu faço a seguinte pergunta: “eu tenho duas opiniões para te dar: aquela que você quer ouvir e aquela que eu penso de verdade. Talvez a que eu penso não te agrade. Qual você quer?” Ele me pediu para ser franco, então eu respondi que não faria algo assim. Eu não faço acordo com ninguém. É errado. Se faço isso, eu estou, de certo modo, lesando o governo. É um direito para favorecer o empregado quando você realmente demite sem uma justa causa. Agora, se a pessoa está pedindo para sair…
Aí a resposta dele foi: “mas todo mundo faz isso!” Será? Será que todo mundo realmente faz isso? Pode ser que a maioria faça. Mas, se você for olhar, a maioria das pessoas só dá nota quando quer, paga uma parte dos funcionários na carteira, outra parte por fora, se tem vendedor, paga a comissão por fora para não tributar… faz esses rolinhos.
Mas será que isso está certo? Será que o fato da maioria das pessoas fazer algo torna isso certo? E funciona?
Uma Outra Situação
A outra conversa foi com um empresário que me contou que recebeu uma ação trabalhista de uma pessoa, supostamente de maior confiança dele na empresa. Ele se sentiu traído: era alguém que ele levava por amigo. Eu perguntei a razão: “porque eu tinha que dar insalubridade e, para isso, eu precisaria registrar ele.”
“Todo mundo faz isso na minha área!” Mesmo que fosse esse o caso, olha o que está acontecendo com você. É aquele barato que acaba saindo caro no final. E, de novo, o fato de muitas pessoas estarem fazendo não significa que isso é certo. Agora vamos olhar o seguinte: será que todo mundo faz essas coisas? Deixar de fazer registros necessários, pagar por fora, tirar a meia nota…
Não fazem. O empresário correto não faz isso. Sabe por quê? Porque é difícil gerenciar essas coisas. Para uma empresa organizada, com processos, que cresce mesmo, é difícil esconder isso. Sai muito caro, e o tombo é grande, se pegarem – ou melhor, quando pegarem.
Quem dá esse “Jeitinho” é o Exemplo Ideal?
Então veja bem: muitas vezes aquele empresário que começa a fazer esses rolinhos não pode contratar uma pessoa para cuidar do financeiro porque não quer que ela saiba. Então começa a ficar escravizante essa rotina, porque fica na mão dele a responsabilidade por isso.
Pegando esse mesmo gancho, uma das frases que eu mais leio e ouço, sempre que o assunto é gestão empresarial, é a seguinte: “é o olho do dono que engorda o boi. Empresário tem que estar assim em cima de tudo, mandando, cobrando.” Quando eu estou muito de sangue doce, eu até questiono a razão, e a resposta comum é: “porque todo mundo faz”.
Agora, quem é esse “todo mundo” que faz esses rolinhos? Que entrega meia nota, que paga salário pela metade, que não registra, que faz acordo por fora? Será que são aqueles empresários bem-sucedidos, com a empresa prosperando? Será que são aqueles que conseguem ter um padrão de vida justo, ter a casa e o carro dos sonhos, que conseguem viajar?
Não são esses.
Não fazer a Coisa Certa na Empresa pode Acabar com o seu Negócio
Quem faz e acredita nessas coisas é aquele que está lascado. Então se, no teu convívio, você tem muitos empresários que falam que certo é estar em cima o tempo todo, que certo é sonegar, que certo é não pagar os direitos trabalhistas – se você está ouvindo só essas pessoas que não estão tendo resultado, desculpa te falar, mas você está ouvindo as pessoas erradas.
Eu já convivi com muitos empresários. Eu já ajudei muito empresário que já estava bem a se tornar mais próspero. Já ajudei muito empresário que estava pensando em fechar, que se organizou, que mudou sua mentalidade, que evoluiu. Também já convivi com muitos empresários que eu tive sociedade, que eu tive conversas, que fazem parte da minha rede de amigos, pessoas que prosperam, pessoas que crescem, pessoas que têm resultado de verdade. Já vi também muito empresário que prosperou mas que desceu lá no fundo do poço.
E sabe qual é a diferença entre aqueles que prosperam e esse crescimento se sustenta, daqueles que não prosperam ou que prosperam mas por pouco tempo? É a seriedade com que tocam seu negócio. Crescimento em cima de rolinho não se sustenta. Procura ver se você acha alguém que cresceu fazendo coisa errada e que o negócio prosperou por anos e anos. Alguma coisa sempre acontece e essa empresa cai. Essa empresa afunda. Olha, vai atrás dessas pessoas.
Leia também: Técnica x Comportamento do Empresário de Sucesso
Por que fazer a Coisa Certa na Empresa: Conclusão
Quem prospera de verdade, quem tem uma vida de empresário de verdade, é aquele empresário que procura fazer a coisa certinha. Mesmo que ele saiba que ele é minoria, que ele não está com todo mundo.
Mas se você for olhar, a minoria dos empresários é bem sucedida. Não é a maioria. Como em qualquer área, a minoria é bem sucedida. A maioria não é. Por quê? Porque a maioria quer jeitinho, quer atalho, quer coisinha rápida, quer solução mágica, quer tirar vantagem de tudo. Pensa nisso.
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Meu forte abraço e eu desejo que você Viva Positivamente.
Fernando Campanholo.

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