Quando você começar a transformar a sua empresa em uma Empresa Inteligente, ela vai ter um efeito colateral que você vai achar ruim no começo, mas que depois vai ver que é muito bom. Antes de mais nada, vamos revisar o que é uma Empresa Inteligente?

Uma Empresa Inteligente é uma empresa onde a inteligência não está na cabeça do dono ou de uma ou duas pessoas-chave, mas sim está na própria empresa: as pessoas sabem o que tem que fazer, sabem quando tem que fazer, sabem como tem que fazer e sabem porque tem que fazer e, assim, as coisas funcionam. A Empresa Inteligente funciona sem alguém estar mandando, cobrando, fiscalizando.
Acontece que, nesse processo de construção da Inteligência, você vai passar por algumas fases. Uma delas é o que eu chamo de Organização Sistemática. É meio que colocar ordem em certas coisas, organizar o sistema de funcionamento da sua empresa, a forma como ela funciona. Consiste, basicamente, em começar a criar os processos, a olhar os indicadores e a fazer a gestão propriamente dita.
Como dever ser feita a gestão de uma empresa inteligente
Veja bem: Quando você micro-gerencia, quando precisar estar em cima dos colaboradores, já que a Inteligência está só em você, por mais que você ache que não, muitas coisas passam despercebidas – a não ser que você não tenha mais que três, quatro funcionários e você não descole de perto deles. Mas, se você não fica perto o tempo todo, se você tem 10, 15, 20 pessoas, você não consegue acompanhar tudo. E muitas coisas passam despercebidas. Por mais que você tenha gerentes para fazer isso, eles também não conseguem dar conta de tudo. É humanamente impossível.
Então, coisas passam despercebidas. Mas, quando coisas passam despercebidas, quando não se olha o trabalho das pessoas, a produtividade (através de indicadores), quando não se olha resultados a fundo de verdade (ou seja, lá naquele que eu chamo de Painel do General, onde você olha todos os indicadores da empresa e vê o que está acontecendo), quando não faz isso, algumas pessoas – claro que não são todas, mas algumas pessoas – começam a se usar dessa falta de gestão para o seu próprio bem. Como? Algumas vezes, simplesmente escondendo algumas falhas, escondendo algumas coisas que elas não sabem fazer. Às vezes escondendo algo que elas não querem fazer. Às vezes, usando teus recursos para objetivos próprios. Por exemplo: usar a tua internet para prestar algum outro tipo de serviço, para fazer trabalho de faculdade, para olhar aqueles sites que nem deveriam estar olhando… Enfim, para fazer coisas em proveito próprio.
Em alguns casos, até roubam. Quando você não tem indicadores que possa olhar, o roubo é facilitado. Quando uma empresa não tem gestão, fica muito simples roubar, para aquela pessoa de má fé.
Lidando com a reação dos funcionários
Quando você começa a pôr ordem, começa a criar indicadores, criar processos, criar gestão, as pessoas que estavam levando vantagem da falta disso, vão berrar, vão gritar. “Ah, mas assim tá ruim! Mas assim tá difícil! Tá burocrático. Isso vai dar errado, vai ficar ruim para a gente”. Talvez elas não deixem isso tão explícito para você, mas elas vão falar nas costas. Elas vão arquitetar com as outras pessoas, por uma razão muito simples: elas sabem que, se esse novo sistema funcionar, elas vão ser pegas. A tua gestão vai pegar essas falhas, esses desleixos e, em certos casos, até roubo. Então elas não querem que isso aconteça.
A primeira reação que a pessoa que se aproveita da falta de gestão vai ter é dar contra. Quando ela der contra, você precisa ficar atento. Qualquer um que der contra quando você falar em organização, fique atento. Por que é que essa pessoa está contra? Mas, por sua vez, algumas pessoas vão apresentar aquele “efeito colateral” que eu citei no início: elas simplesmente vão pedir para sair da empresa. Vão sair. Vão deixar você na mão. “Ah, então assim eu não trabalho mais, assim não me serve!”. Vão embora. Por quê? Porque aquele benefício acabou.
Algumas pessoas vão cavar sua própria demissão. E você vai ter que demitir. Ou você vai ceder, esquecendo a Inteligência. Pode ser que custe caro. Pode ser que você se incomode. Mas, ouve o que eu vou te falar: esse tipo de pessoa que está dando contra, dê graças a Deus se pedir demissão. Ainda bem! Saiu barato! Aquele que você teve que demitir, lá na frente iria ser mais caro ainda. Aquele que deu problema e que você teve que demitir, lá na frente ele ia dar mais problema. Então dê graças a Deus, porque é um tipo de pessoa que, por mais que você acredite que faça falta, só vai fazer falta até você criar Inteligência. No momento em que você criar Inteligência na empresa, esse tipo de pessoa não vai fazer falta.
Que tipo de pessoas que se deve ter em uma empresa inteligente
O que você precisa na sua empresa é de gente que pegue junto, gente que se comprometa, que faça o que tem que fazer, que funcione do jeito que precisa para funcionar. É esse tipo de pessoa que a empresa tem que ter: pessoas comprometidas.
Aquelas pessoas que saírem porque estão contra a organização, pode apostar: não são pessoas comprometidas, de valor, não são do tipo de pessoa que você precisa ter ao seu lado. Nesse caso, demitir é um mal necessário. As pessoas não são eternas. Ninguém é eterno. Então essas pessoas que estão dando contra, deixe que vão embora. Mande embora, se precisar. Mas não segure. Por mais que pareça ruim, lá na frente você vai ver: que bom, graças a Deus que saiu.
Veja também: Seus funcionários estão te pagando bem?
Conclusão
Guarda isso. Se você tem uma equipe com pelo menos seis, sete pessoas, você pode apostar: a hora que você for começar a colocar Inteligência, você vai sofrer esse tipo de problema com pelo menos uma ou duas pessoas. Mas isso não é motivo para você desistir da Inteligência – muito pelo contrário. Pensa nisso.
Meu forte abraço e eu desejo que você Viva Positivamente.

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