Os incêndios na empresa são aqueles problemas que surgem de uma hora para a outra e acaba sobrando para o empresário ter que apagar. Definido isso, quero contar uma história para vocês.

A História da Angela
Ainda quando eu morava no Rio Grande do Sul, na cidade de Passo Fundo, eu participava como voluntário de um grupo de assistência social. Eu gosto de fazer isso. Eu dedicava algumas horas do meu dia e a gente apoiava as pessoas, às vezes através de campanhas de arrecadação de alimentos, de remédios, de brinquedos para as crianças, a gente conversava com as pessoas, dava um apoio moral, ajudava a arrumar emprego, a se desenvolverem… Fazia, enfim, várias ações, vários projetos.
Uma vez, quando eu estava no atendimento, chegou uma moça chamada Angela. Ela devia ter mais ou menos uns 30 anos e veio conversar comigo, denunciando que estava sofrendo agressões do seu esposo. Quando ela me falou isso, já meio que me ferveu o sangue: uma coisa dessas é algo que eu acho inadmissível. Enfim, ela me contou. A gente tinha um procedimento, que tinha uma parte que era ir na delegacia da mulher fazer uma ocorrência. A gente tinha até local onde a pessoa poderia ficar, com toda uma estrutura, até ela resolver a questão dela.
O erro que ela cometeu
Até então ela se queixava do marido, das agressões dele. Mas, quando eu falei o que seria feito, ela simplesmente começou a reverter a culpa para ela. Começou a dar uma série de explicações, eu puxei histórias que ela tinha me contado e, agora, em todas elas, começou a reverter a culpa para ela mesma. Eu só sei que acabou que tentamos de tudo ali, e ela simplesmente não quis agir. Voltou para casa.
Enfim, passados uns 30 dias, ela voltou de novo lá, dizendo que a situação estava insuportável, que o marido estava batendo nela com mais força ainda, e novamente o ciclo se repetiu: tomou para si a culpa e não quis agir. Eu sei que ela voltou mais umas duas vezes e a história se repetiu, até que infelizmente houve um caso mais grave, em que ela se machucou a ponto de ir para o hospital.
E o que isso tem a ver com os Incêndios na Empresa?
Mas assim: por que eu estou contando a história da Angela? Em que isso tem a ver com ser um empresário melhor? É que às vezes na empresa a gente acaba tendo certos problemas e a gente aceita e se acostuma com eles.
Os grandes problemas, os grandes incêndios na empresa, normalmente não começam grandes. Eles começam pequenininhos e vão se incorporando à rotina.
Você, por exemplo, passa uma função para um colaborador fazer e, de repente, ele começa a não fazer uma parte, a fazer pela metade, você vai lá e faz, até que você se acostuma com isso. Começa a dar problema de faltar dinheiro, você passa a se acostumar a dar um jeito: pega dinheiro emprestado, vende coisa de casa, vai para o banco e paga juro, desconta cheque… Os clientes param de vir, você vai se acostumando. Diminui o faturamento, você vai adequando as despesas, vai mudando o seu padrão.
Você vai se acostumando aos incêndios. E esses incêndios na empresa se tornam tão normais para você, como para a Angela apanhar do marido era normal. E eles vão aumentando, porque geralmente, quando a gente não combate o incêndio, ele não diminui, mas sim aumenta. Ele vai consumindo a sua vida, o seu tempo, a sua saúde e você vai aceitando. Você vai simplesmente deixando aquilo acontecer, assim como a Angela.
Como lidar com os Incêndios na Empresa?
Agora, se você se deparasse com uma situação em que todos esses incêndios viessem ao mesmo tempo, você ia pular fora. Ia ver que isso não é para você, ia se dar conta dessa realidade e ia agir para mudar.
Nesse caso, o que é interessante avaliar é o seguinte: será que essa é a vida de empresário que você quer? Será que é assim que você quer tocar sua empresa? Você está realmente fazendo o suficiente para mudar esse jogo? Será que está tendo a coragem de mudar?
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Conclusão
A real é: se você fizer sempre igual, você não vai ter resultado diferente, você vai ter sempre os mesmos resultados. Quer ter resultado diferente? Então pare de aceitar como normal os incêndios na sua empresa. Não aceite como normal você ter que fazer atividades que você tem gente para fazer. Pare, também de aceitar como normal perder negócio por preço. Pare de aceitar por normal que um mês seja bom e o outro mês, não. Não é normal. É comum, mas não é normal.
Então pare de ser como a Angela: pare de aceitar os problemas como normais e comece a agir para resolver. Um pouquinho de cada vez, não precisa resolver tudo do dia para noite, não precisa consertar tudo de uma hora para outra. Então defina o que é prioridade, o que você vai consertar hoje, amanhã, semana que vem… É assim que a gente resolve a nossa empresa. Pensa nisso.
Meu forte abraço e eu desejo que você Viva Positivamente.
Fernando Campanholo

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