Se o funcionário está roubando e empresa, a culpa pode ser do empresário? Uma vez, um aluno meu me contou um relato que eu vou te contar agora. Só, antes de eu te contar, deixa eu descrever um pouquinho esse meu aluno.

Ele era daqueles empresários que acreditava que, para a empresa funcionar, tinha que estar em cima o tempo inteiro, tinha que estar de olho no que as pessoas estavam fazendo, tinha que estar micro-gerenciando, mandando, cobrando, conferindo tudo. Essa era a vida dele. Só que, de vez em quando, ele tinha que sair da empresa, tinha que ir ao banco, ele tinha que cobrar cliente, tinha que fechar negócios, tinha que fazer muitas coisas operacionais. Mas ele tinha que ir. E o que acontece: como ele não confiava em ninguém, não tinha gestão de nada, não tinha controle de nada, estoque não fechava, caixa não fechava… Andavam daquele jeito as coisas.
Entendendo a História
Como ele não tinha controle de nada, ele pôs câmeras de segurança. E o relato dele é que ele saiu da empresa, foi resolver uns problemas fora, então ele resolveu dar uma olhada na câmera que ficava bem em cima do caixa. Ele olhou essa gravação pelo celular e viu que o caixa simplesmente recebeu R$100 do cliente, deu o troco, pegou os R$100 e colocou no bolso da camisa, bem tranquilo, bem sim-senhor, como se aquela câmera não estivesse ali. Não sei se ele sabia ou não que o chefe olhava de fora, mas, enfim, guardou como se não tivesse câmera ali.
Meu cliente – enfurecido, com toda a razão –, quando retornou para a empresa, a primeira coisa que fez foi chamar o cara para a sala. Ele estava com provas já, com a filmagem da cena, já pronto para ir na polícia. Só que, antes de mostrar a filmagem, ele simplesmente perguntou para aquele rapaz que estava no caixa: “por acaso, você pegou R$100 do caixa e guardou para você?”. O caixa olhou para ele e disse: “sim, guardei”. Aí ele ficou mais indignado ainda e perguntou se, em vez de guardar no caixa, ele estava só segurando. “Não. Peguei para mim, mesmo” – com a maior cara de pau. Nem precisou mostrar a imagem do celular. Louco de bravo, ele quis xingar esse funcionário, pronto para mandar ele embora, louco para ir na polícia.
Funcionário roubando a empresa: De quem é a culpa?
O funcionário foi questionado sobre o porquê de ter feito isso, e a resposta foi, simplesmente, esta: “A explicação é o seguinte: eu não tenho que ser honesto nessa empresa. Você também não é honesto”. “Como assim não sou honesto, cara?”. “Não, você não é honesto. Não vem querer me dar moral, cara. A maior parte das vezes você não dá nota para os clientes. Quando você dá, você tira meia nota. O meu salário você paga metade na carteira e metade por fora. Eu tenho um cargo maior e você me põe lá como caixa, simplesmente. Então quem é você para dar moral, dizer que aqui se preza honestidade? Fiz que nem você.” Essa foi a resposta.
Aí meu aluno, ainda mais enfurecido, quis dizer que aquilo estava errado, e recebeu esta resposta: “Olha, cara, você está roubando o teu cliente, está roubando o ICMS, você está roubando o Governo, está roubando da Saúde, porque você não está contribuindo, você não venha me dar moral aqui. Se você quiser me denunciar, tudo bem, cara. Mas eu vou sair daqui e eu vou denunciar você pro ICMS. Eu vou denunciar você na Receita. Em tudo quanto é lugar. Você que sabe.”
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Empresário desonesto não pode reclamar de funcionário roubando a empresa
Moral da história: ele teve que aceitar aquela situação e engolir em seco, de medo. E por que eu estou contando isso? Por que, queira ou não, a tua equipe, os teus colaboradores, se você soube escolher bem essas pessoas, escolher do jeito certo, elas vão agir conforme o seu reflexo. Queira ou não, é o seu reflexo. Eu tive um chefe, há anos atrás, o meu último antes de abrir minha primeira empresa – isso foi lá em 94. Esse meu chefe simplesmente sacaneava os clientes, cobrava coisa que os clientes já tinham pago, cobrava a mais, mandava a nota em duplicidade… fazia horrores.
E aí tinha gente naquela empresa, pessoas de má índole, que acabavam fazendo exatamente a mesma coisa: quando viam uma oportunidade, roubavam os clientes, roubavam a empresa, e era assim. O funcionário estava roubando a empresa, seguindo o exemplo do empresário. Então, queira ou não, a empresa sempre é reflexo do dono.
As pessoas, de um modo geral e se você contratou do jeito certo, vão agir conforme você age na empresa, conforme o teu jeito de agir. Então, se você quer que as pessoas sejam íntegras e honestas, faça o básico: seja honesto, seja íntegro. Se quer que as pessoas sejam certinhas, seja certinho. Você quer que as pessoas sejam responsáveis, que zelem pela palavra, que cumpram prazos, então faça a mesma coisa, cumpra prazos, honre isso com seus clientes. Quer que as pessoas cumpram combinados, cumpra seus combinados. Quer que a equipe siga seus processos, siga os processos dos seus fornecedores. A equipe vai se espelhar muito em você.
Conclusão
Em outra oportunidade, já pude falar sobre essa questão dos esqueletos no armário, de ficar tirando nota fria, não tirar nota, sonegar, pagar funcionário por fora… É isso que acontece, você acaba ficando na mão das pessoas. Elas acabam julgando aquele modelo certo e, no momento que você quer, de repente, afastar essa pessoa que sabe disso, essa pessoa vai ter você na mão. É complicado. De verdade, eu sou da opinião que não tem nada melhor do que a gente botar a cabeça no travesseiro e saber que a gente está fazendo a coisa certa, que a gente não tem coisa para esconder, que não tem rolinho, que amanhã eu posso dizer para alguém se essa pessoa for desonesta, eu posso bater no peito e ter moral para cobrar dessa pessoa, porque eu sei que eu sou honesto.
Então o ponto desse texto não é acusar ninguém. De forma nenhuma. O que eu peço é que você faça uma reflexão: tem alguém na tua equipe com alguma atitude que você não gosta? Essa pessoa está ali a tempo? Será que ela não está se espelhando talvez em você, talvez em algum sócio, talvez em algum gerente? Será que isso não está acontecendo? Pensa um pouquinho sobre isso.
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Meu forte abraço e eu desejo que você Viva Positivamente.
Fernando Campanholo.

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