A produtividade do colaborador caiu? Acontece, ou já aconteceu, o seguinte na sua empresa? Você contrata um colaborador que parece ser uma pessoa bem competente, bem comprometida.

Quando você coloca ela para produzir, ela rende muito bem, entrega exatamente aquilo que você quer e às vezes até mais. Só que, passado um tempo, de repente você nota que a produtividade dessa pessoa caiu. Ela já não é mais a mesma. Isso acontece, ou já aconteceu, com você?
Se sim, eu vou falar, em seguida, da causa mais comum que leva a esse tipo de comportamento. E isso para que você avalie se, de repente, você não está fazendo isso na sua empresa.
Mas antes disso: qual seria o jeito certo quando a gente contrata uma pessoa? O jeito certo de contratar é a gente atribuir para o contratado uma responsabilidade – não importa o cargo, não importa o setor.
O conceito de Responsabilidade
Mas o que seria exatamente uma responsabilidade? Responsabilidade é o resultado que ela tem que me entregar, que eu espero dela. Ele precisa ficar claro. O resultado não é “bem feito”, não é “quanto mais, melhor”, não é “faz o teu melhor”, não é “se esforce”. Não. O resultado é algo que eu possa medir. “Olha, você produz tanto em tanto tempo, entrega tanto em tanto tempo.” Não interessa o cargo, não interessa o setor, se você parar para pensar, você tem sempre como medir, sim.
O que você tem que se preocupar é em garantir que a pessoa entregue isso. Você avaliou que ela tem as competências necessárias para entregar isso e que, então, faz sentido que ela esteja na sua equipe. Agora, você tem que preparar ela para te entregar isso. Aí entram os treinamentos, o processo, o maquinário, os recursos… enfim, tudo o que você vai dar para garantir que ela entregue esse resultado. Legal. Só que tem uma coisa muito importante: você tem que se preocupar que a pessoa entregue esse resultado. E, quando ela não entrega esse resultado, aí que vem a grande falha que muitos empresários cometem.
Como agir quando a produtividade do colaborador caiu
Quando a produtividade do colaborador caiu e a pessoa não entrega o resultado combinado, não pode ficar assim. Você deve avaliar. Alguém tem que conversar com essa pessoa e procurar entender por que não entregou. A primeira vez que ela não entregou, você se pergunta: por que não entregou? O que aconteceu? Faltou um treinamento? Estava com algum problema em algum recurso, alguma máquina, alguma ferramenta que ela precisava utilizar? Então alguém vai se encarregar de resolver isso. Treinar melhor, ajustar processo, corrigir máquina, corrigir equipamento, enfim. Se ela começou a entregar de novo, legal: ajustou e funcionou.
De repente, caiu uma segunda vez a entrega dela. O que você vai fazer? Você vai conversar de novo com essa pessoa e trazer de volta aquilo que vocês conversaram da outra vez. Ajusta de novo. A pessoa começou a entregar, tudo certo.
Terceira vez, o que acontece? Ali você já precisa conversar em outro tom com ela: “Ó, fulano. É a terceira vez que conversamos sobre este problema. Você sabe que você tem que me entregar isso e você não está me entregando. Aquela vez a gente conversou, você me disse isso. Da segunda vez, você me disse isso. As duas vezes a gente ajustou e você entregou. Agora você falhou comigo pela terceira vez. Pela terceira vez, você não está cumprindo a sua responsabilidade. Então, eu vou ajustar com você. Mas que fique claro que eu não vou mais tolerar isso. Essa é a nossa última conversa.” Então, ajusta de novo.
Se a pessoa não entregar essa responsabilidade pela quarta vez, o tom da conversa precisa ser como: “sinto muito, mas a banda tem que tocar. Com ou sem você. E infelizmente eu preciso de alguém aqui que me entregue.” Pronto: vai substituir esse colaborador. Simples assim.
A produtividade do colaborador caiu: A Causa
O grande erro está no fato de que tem muito empresário que não faz isso que eu acabei de falar. Não procura corrigir as pessoas. Não procura resolver. Se a pessoa segue errando – erra uma vez, duas vezes, três vezes, erra um ano, dois anos, três anos, cinco anos – e você tolera o erro, vão acontecer duas coisas.
A primeira coisa é que você está dando um grande recado para aquela pessoa que não está entregando o que precisava. E o recado que você está dando é o seguinte: “cara, aqui na minha empresa está tudo bem. Eu te contratei para você me entregar 10, mas se você me entregar 5 eu aceito e está de boa. Eu te dou uma bronca e está de boa. Você pode continuar errando, você pode continuar não entregando. Está de boa.” Então você deu esse recado e essa pessoa não precisa corrigir, ela não precisa se preocupar com isso. Não é tão responsabilidade dela. Está tranquilo, está de boa ela não ter entregado. E isso é para a pessoa que está falhando.
Mas, para aquele colaborador novo, que está ali cheio de gás, entregando os resultados, comprometidos, você está dando um outro recado. É a segunda coisa, e essa é a pior. O recado que você está dando para ele é que ele está sendo bobo em cumprir a responsabilidade. Por que está sendo bobo? Porque ele não precisaria se preocupar em cumprir. Você tolera para o outro, então você vai tolerar para ele também. Esse é o recado.
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Conclusão
O pior disso é que você estimula algo na tua empresa, que é o que eu chamo de rádio-peão. O que é o rádio-peão? É quando todos os teus colaboradores conversam entre si sobre as questões e os problemas, e isso não chega até você. Então entre eles têm aquele que eu chamo de Caxias: aquele que faz certinho as coisas, que entrega certinho, que se preocupa, que zela pela empresa, que zela pela responsabilidade. Vai vir aquele que não se preocupa, que não entrega e que você tolerou e vai dizer para o Caxias: “cara, deixa de ser bobo. Para que você se matar? Não se preocupa, cara. Se der, deu. Se não der, está tudo bem. Não dá nada. Se você entregou ou não entregou, não importa. O/a chefe vai aceitar, tá de boa.”
Então, se a produtividade do seu colaborador caiu, eu posso te assegurar com toda certeza que isso é o que mais estraga bons colaboradores na empresa. E eu quero que você avalie se eventualmente você não está agindo desse jeito. Se eventualmente você não está tolerando que as pessoas simplesmente não entreguem os resultados que precisavam. Se você não está tolerando que as pessoas façam de qualquer jeito, façam o que elas acham que conseguem e deu. Avalie. Porque, se você fizer isso, saiba que você pode estar estragando bons colaboradores aí na tua empresa. Pense nisso.
Um forte abraço e eu desejo que você Viva Positivamente.
Fernando Campanholo

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